Olá, após
algum tempo sem postar no blog aqui estou para dividir uma situação que
presenciei e que me fez refletir a respeito de alguns temas que tenho estudado. Posso dizer a vocês que, situações semelhantes a esta ocorrem inúmeras vezes a
nossa volta, porém como geralmente não saímos de casa com o objetivo de
analisar as pessoas e fazer um paralelo de uma possível situação real com
alguma teoria que seja de nosso conhecimento,
normalmente nos afastamos sem
tomar partido a respeito do ocorrido, mesmo que posteriormente venhamos a tirar
conclusões sobre quem está certo ou quem está errado sem procurar entender o
que leva cada individuo a se posicionar de uma ou outra maneira.
Fui a um
supermercado (de médio porte) em um domingo (nesses dias na cidade onde resido
esses estabelecimentos atendem até as 11hs), cheguei lá alguns minutos antes
que o mesmo fechasse(atitude bem brasileira de deixar tudo para ultima hora) e
na saída como mais pessoas que assim como eu, também decidiram ir às compras na
ultima hora, o supermercado estava com todos os caixas cheios, visando acelerar
o processo de pagamento das pessoas com um volume de compras baixo(até 5 itens),
as duas atendentes da lanchonete (que fica interna ao mercado) chamavam essas pessoas
para pagamento em seu caixa, eu como tinha dois itens apenas me dirigi para
esse caixa, durante o tempo que aguardava meu atendimento presenciei a seguinte
situação: Um senhor que estava umas duas posições na minha frente na fila, ao
ser atendido pagou sua conta em dinheiro e por falta de troco a atendente que
estava no caixa (com a educação requerida para atendimento ao publico)
solicitou que o senhor aguardasse enquanto a outra atendente dirigia-se aos
demais caixas para efetuar a troca de uma nota (que não vi o valor) por valores
fracionados para efetuar o repasse do troco do senhor, tal senhor, calmo,
trajava roupas simples, um chapéu de vaqueiro (típico do estado MT) e tomava um
refrigerante enquanto aguardava seu troco, a fila continuou andando e na minha
vez de pagar a conta a atendente que havia ido trocar a nota retornou,
informando
sua colega que não havia obtido êxito na sua tarefa, a atendente que
estava no caixa, após ser informada do insucesso da colega procurou na gaveta
do caixa e encontrou duas notas de R$ 2,00 (dois reais) e entregou ao senhor perguntando:
“Senhor, posso lhe dar R$ 0,85 (oitenta e cinco centavos) de bala?” O senhor,
de maneira calma e educada responde: “Não! Eu quero o dinheiro, você me fez
esperar aqui por R$ 0,14 (quatorze centavos), eu vou querer o dinheiro!” A
atendente, que já havia repassado R$ 4,00 (quatro reais), juntou algumas moedas
espalhadas na gaveta do caixa que totalizavam os R$ 0,85 (oitenta e cinco
centavos) e entregou ao senhor, que agradeceu e foi embora.
Após isso
uma senhora que estava próxima comentou com outra que as compras do senhor
haviam totalizado R$ 40,14 (quarenta reais e quatorze centavos) e que não havia
a necessidade da atendente efetuar a cobrança dos R$ 0,14 (quatorze centavos),
pois não faria falta para o supermercado.
Paguei
minhas compras e durante o deslocamento até minha residência fui pensando no
que havia acontecido e tentando analisar a situação de modo imparcial. Algumas
pessoas podem ter concluído que a atendente poderia ter deixado os valores
quebrados de desconto, outras que o senhor poderia ter aceitado as balas como
troco, mas quem está certo? Alguém está certo? Abaixo estão algumas possibilidades
de tratativas da situação de acordo com a visão de cada um dos envolvidos.
O que é fato
para ambos os lados é que o supermercado precisa ter condições de dar o troco
para seus clientes caso haja necessidade, balas e guloseimas em geral são
normalmente oferecidas aos clientes em substituição a pequenas quantidades
monetárias, nesse caso, o cliente tem a opção de aceita-las ou não, na
administração de estabelecimentos comerciais de varejo (que atendem o
consumidor final e vendem desde balas até itens de valor agregado “alto”)
alguns gestores fazem um alinhamento com os(as) operadores(as) de caixa,
popularmente conhecido como “quebra de caixa”, esse acerto tem por finalidade
especificar uma quantia variável (para mais ou para menos) para fechamento do
caixa, onde qualquer variação dentro dos valores previamente estabelecidos não
implicam em ônus nem em bônus para o(a) operador(a) de caixa, esse alinhamento
também é vantajoso para o estabelecimento pois minimiza os impactos de uma
ocasional falta de troco.
Relativo à atendente,
não sabemos se ela já não estava com o valor de quebra de caixa no limite da
variação, próximo de um desconto em seu salário, ou até se, o supermercado
trabalha ou não com esse sistema de quebra de caixa (conheço alguns que, se o
valor sobrar é do supermercado e se faltar é descontado do funcionário(a)),
pode-se também fazer uma analise dos valores que poderiam ser deixados como
descontos no dia e expandir esses valores para um curto, um médio ou um longo
prazo, verificando quais seriam os impactos, ganhos, perdas e etc.
O cliente é
quem sempre tem a razão, de modo geral, é comum aceitar como troco alguns doces
ao invés de pequenas quantias em moedas, nesse caso, talvez o senhor tivesse
aceitado as balas se está tivesse sido essa a primeira opção da atendente.
Inúmeros são
fatores que influenciam nas decisões das pessoas, momento, pressão,
circunstâncias a que estão submetidas, expectativa do horário de descanso e
muitos outros que, se formos descrever de uma forma detalhada ao invés de uma
postagem teremos que escrever um livro, no caso acima, não houve falta de educação
de nenhuma das partes, para quem estava de espectador (como eu), o mais cômodo
é deixar pra lá, ou não opinar na hora e depois tirar conclusões baseadas em um
momento (como a senhora que relatou o que aconteceu), quem estava certo? Quem
estava errado? É errado tirar conclusões de situações que presenciamos? Creio
que não, pessoas, são seres únicos, dotados de sentimentos distintos, duas
pessoas podem entender a mesma questão de maneiras diferentes, particularmente
já tirei conclusões de pessoas baseado em um momento, e errei, já acertei, fico
feliz por ter acertado, mas também fico feliz por ter (em alguns casos) a
oportunidade de reavaliar pessoas baseado em um contexto. Pessoas são
diferentes e se comportam de modos diferentes, falando relativo a convivência,
acredito que, para que esta seja possível com pessoas de diferentes classes,
crenças, culturas e que tenham até mesmo objetivos diferentes, devemos exercitar
de maneira individual a nossa capacidade de extrair das pessoas o que elas tem
de bom a nos oferecer, paralelo a evolução desse exercício passaremos a
entender as diferenças e a respeitar a maneira com que as outras pessoas
enxergam determinada situação, mesmo que essa seja contraria a nossa maneira.
Indivíduos,
mesmo que irmãos, filhos de mesmo pai e mesma mãe e que tenham recebido destes,
ao longo de sua existência os mesmos ensinamentos, mesmos valores e afeto,
esses são diferentes, cada individuo é único e mesmo que tenham como base os
mesmos valores, podem vir a ter opiniões diferentes sobre o mesmo assunto, sem
que tais opiniões (mesmo que divergentes) venham a contrariar seus princípios
básicos, a maneira como cada pessoa se comporta frente à determinada situação
pode ser considerada como uma das representações do individuo “único”, claro
que valores e princípios são a base para o comportamento das pessoas, porém
muitos outros fatores estão agregados ao comportamento do “momento”, como por
exemplo, insegurança, dificuldade de raciocínio, falta de empatia, enfim, as
pessoas podem, mas não são obrigadas a concordar umas com as outras e o que é
certo para um pode não ser certo para outro, para essa segunda colocação mesmo
que as opiniões estejam divergindo, pode não haver uma opinião errada, ou uma
certa. Às vezes é questão de ponto de vista.
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