segunda-feira, 16 de novembro de 2015

É questão de ponto de vista

Olá, após algum tempo sem postar no blog aqui estou para dividir uma situação que presenciei e que me fez refletir a respeito de alguns temas que tenho estudado. Posso dizer a vocês que, situações semelhantes a esta ocorrem inúmeras vezes a nossa volta, porém como geralmente não saímos de casa com o objetivo de analisar as pessoas e fazer um paralelo de uma possível situação real com alguma teoria que seja de nosso conhecimento,
normalmente nos afastamos sem tomar partido a respeito do ocorrido, mesmo que posteriormente venhamos a tirar conclusões sobre quem está certo ou quem está errado sem procurar entender o que leva cada individuo a se posicionar de uma ou outra maneira.


Fui a um supermercado (de médio porte) em um domingo (nesses dias na cidade onde resido esses estabelecimentos atendem até as 11hs), cheguei lá alguns minutos antes que o mesmo fechasse(atitude bem brasileira de deixar tudo para ultima hora) e na saída como mais pessoas que assim como eu, também decidiram ir às compras na ultima hora, o supermercado estava com todos os caixas cheios, visando acelerar o processo de pagamento das pessoas com um volume de compras baixo(até 5 itens), as duas atendentes da lanchonete (que fica interna ao mercado) chamavam essas pessoas para pagamento em seu caixa, eu como tinha dois itens apenas me dirigi para esse caixa, durante o tempo que aguardava meu atendimento presenciei a seguinte situação: Um senhor que estava umas duas posições na minha frente na fila, ao ser atendido pagou sua conta em dinheiro e por falta de troco a atendente que estava no caixa (com a educação requerida para atendimento ao publico) solicitou que o senhor aguardasse enquanto a outra atendente dirigia-se aos demais caixas para efetuar a troca de uma nota (que não vi o valor) por valores fracionados para efetuar o repasse do troco do senhor, tal senhor, calmo, trajava roupas simples, um chapéu de vaqueiro (típico do estado MT) e tomava um refrigerante enquanto aguardava seu troco, a fila continuou andando e na minha vez de pagar a conta a atendente que havia ido trocar a nota retornou, informando
sua colega que não havia obtido êxito na sua tarefa, a atendente que estava no caixa, após ser informada do insucesso da colega procurou na gaveta do caixa e encontrou duas notas de R$ 2,00 (dois reais) e entregou ao senhor perguntando: “Senhor, posso lhe dar R$ 0,85 (oitenta e cinco centavos) de bala?” O senhor, de maneira calma e educada responde: “Não! Eu quero o dinheiro, você me fez esperar aqui por R$ 0,14 (quatorze centavos), eu vou querer o dinheiro!” A atendente, que já havia repassado R$ 4,00 (quatro reais), juntou algumas moedas espalhadas na gaveta do caixa que totalizavam os R$ 0,85 (oitenta e cinco centavos) e entregou ao senhor, que agradeceu e foi embora.

Após isso uma senhora que estava próxima comentou com outra que as compras do senhor haviam totalizado R$ 40,14 (quarenta reais e quatorze centavos) e que não havia a necessidade da atendente efetuar a cobrança dos R$ 0,14 (quatorze centavos), pois não faria falta para o supermercado.

Paguei minhas compras e durante o deslocamento até minha residência fui pensando no que havia acontecido e tentando analisar a situação de modo imparcial. Algumas pessoas podem ter concluído que a atendente poderia ter deixado os valores quebrados de desconto, outras que o senhor poderia ter aceitado as balas como troco, mas quem está certo? Alguém está certo? Abaixo estão algumas possibilidades de tratativas da situação de acordo com a visão de cada um dos envolvidos.

O que é fato para ambos os lados é que o supermercado precisa ter condições de dar o troco para seus clientes caso haja necessidade, balas e guloseimas em geral são normalmente oferecidas aos clientes em substituição a pequenas quantidades monetárias, nesse caso, o cliente tem a opção de aceita-las ou não, na administração de estabelecimentos comerciais de varejo (que atendem o consumidor final e vendem desde balas até itens de valor agregado “alto”) alguns gestores fazem um alinhamento com os(as) operadores(as) de caixa, popularmente conhecido como “quebra de caixa”, esse acerto tem por finalidade especificar uma quantia variável (para mais ou para menos) para fechamento do caixa, onde qualquer variação dentro dos valores previamente estabelecidos não implicam em ônus nem em bônus para o(a) operador(a) de caixa, esse alinhamento também é vantajoso para o estabelecimento pois minimiza os impactos de uma ocasional falta de troco.

Relativo à atendente, não sabemos se ela já não estava com o valor de quebra de caixa no limite da variação, próximo de um desconto em seu salário, ou até se, o supermercado trabalha ou não com esse sistema de quebra de caixa (conheço alguns que, se o valor sobrar é do supermercado e se faltar é descontado do funcionário(a)), pode-se também fazer uma analise dos valores que poderiam ser deixados como descontos no dia e expandir esses valores para um curto, um médio ou um longo prazo, verificando quais seriam os impactos, ganhos, perdas e etc.

O cliente é quem sempre tem a razão, de modo geral, é comum aceitar como troco alguns doces ao invés de pequenas quantias em moedas, nesse caso, talvez o senhor tivesse aceitado as balas se está tivesse sido essa a primeira opção da atendente.

Inúmeros são fatores que influenciam nas decisões das pessoas, momento, pressão, circunstâncias a que estão submetidas, expectativa do horário de descanso e muitos outros que, se formos descrever de uma forma detalhada ao invés de uma postagem teremos que escrever um livro, no caso acima, não houve falta de educação de nenhuma das partes, para quem estava de espectador (como eu), o mais cômodo é deixar pra lá, ou não opinar na hora e depois tirar conclusões baseadas em um momento (como a senhora que relatou o que aconteceu), quem estava certo? Quem estava errado? É errado tirar conclusões de situações que presenciamos? Creio que não, pessoas, são seres únicos, dotados de sentimentos distintos, duas pessoas podem entender a mesma questão de maneiras diferentes, particularmente já tirei conclusões de pessoas baseado em um momento, e errei, já acertei, fico feliz por ter acertado, mas também fico feliz por ter (em alguns casos) a oportunidade de reavaliar pessoas baseado em um contexto. Pessoas são diferentes e se comportam de modos diferentes, falando relativo a convivência, acredito que, para que esta seja possível com pessoas de diferentes classes, crenças, culturas e que tenham até mesmo objetivos diferentes, devemos exercitar de maneira individual a nossa capacidade de extrair das pessoas o que elas tem de bom a nos oferecer, paralelo a evolução desse exercício passaremos a entender as diferenças e a respeitar a maneira com que as outras pessoas enxergam determinada situação, mesmo que essa seja contraria a nossa maneira.

Indivíduos, mesmo que irmãos, filhos de mesmo pai e mesma mãe e que tenham recebido destes, ao longo de sua existência os mesmos ensinamentos, mesmos valores e afeto, esses são diferentes, cada individuo é único e mesmo que tenham como base os mesmos valores, podem vir a ter opiniões diferentes sobre o mesmo assunto, sem que tais opiniões (mesmo que divergentes) venham a contrariar seus princípios básicos, a maneira como cada pessoa se comporta frente à determinada situação pode ser considerada como uma das representações do individuo “único”, claro que valores e princípios são a base para o comportamento das pessoas, porém muitos outros fatores estão agregados ao comportamento do “momento”, como por exemplo, insegurança, dificuldade de raciocínio, falta de empatia, enfim, as pessoas podem, mas não são obrigadas a concordar umas com as outras e o que é certo para um pode não ser certo para outro, para essa segunda colocação mesmo que as opiniões estejam divergindo, pode não haver uma opinião errada, ou uma certa. Às vezes é questão de ponto de vista.

Abraço à todos.

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